
Em dias mediocres, encontro-me pequena.
Nas minhas varizes, vejo-me terrena.
No silencio das horas me vejo vazia. No arder das auroras encontro a sede que nao sacia.
Perco-me no tempo que foi embora e naquilo que nunca sera, na vida de outrora e onde sera que voce esta?
Meu presente nao me basta. O tempo de mim me afasta.
Nao sou o que quero, nao quero ser o que sou. Sou o que posso e tudo que dou.
As memorias das minhas risadas atormentam uma paz falsa de uma inexistencia voraz.
O som das gargalhadas ecoam em mim e nao me deixam ter paz.
O tempo nao corre, mas morre em mim o que um dia deveria ter sido. Ele me sacode e joga na cara meu tempo perdido.
Procuro meus poetas em versos secretos, e canto meu silencio em pedacos seletos.
Descubro na lagrima a dor de um segundo, na agua gelada um mergulho profundo.
Vejo-me tola, vil, relez, infima e cheia de sonhos ainda nao vividos. Vivo de esmola, servil e vitima dos dias corridos.
O tempo doi. E ainda invisivel a vida constroi.
A alegria que um dia pensei ter ficou na cicatriz de um tempo remoto. A pessoa que pensei ser petrificou nas amareladas fotos.
Deixo crescer minha semente, que carrega a promessa de dias ensolarados e todos os sonhos alcancados.
Serei no tempo do outro e existirei na saudade do olhar.
E se a saudade bater, deixarei entrar, convidarei para um cha e a tomarei nos bracos a beijar-lhe os labios rosados de mel, ainda que com gosto de fel.
Sera meu doce lamento do tempo passado, da inexplicavel razao de ter nada alcancado e tantos voos lancados.
Sigo caminhando ainda sem rumo, num lugar que conheco mesmo que escuro.
Penso na vida, mas nao encontro minha saida.
Vou sem aviso, para que um dia chegue onde moro e plante a arvore que o tempo apagou.
Vou sem destino, para que encontre no fruto a resposta da alma, para que veja na vida a pressa sem calma.
Vou para longe, distante, crente num horizonte pintando o verde e cheio de esperanca nos meus sonhos de crianca.
Vou navegando, nesse mar indeciso, nas correntes de luto, minha vida nao vivida.
Deixo correr os dias pequenos, na calma aparente de uma saudade ardente.
Deixo de lado o verbo cansado e busco sem norte meu caminho fadado.
Vejo no vento o frio dos invernos, mas tambem na primavera os sorrisos sinceros.
Nao saberei nada jamais, mas sei que aportarei na beira no cais.