Tenho para mim que nos deprimimos porque nao somos o que pensamos que deviamos ser aos olhos do outro. Porque nao nos encaixamos naquilo que, aparentemente, estava predeterminado socialmente para nos.
Viver a vida nao e nada facil quando se percebe que de alguma maneira nao nos encaixamos na forma e ainda assim passamos nossos dias tentando faze-lo. Porque nao vivemos a vida que queriamos e nem aquela que “querem” de nos, sim, porque se deixarmos querem tirar-nos o direito de vivermos a propria vida. E qual e mesmo a vida que queremos para nos? Estamos em conflito com o que esperam de nos e o que verdadeiramente somos. E so saberemos o que somos sabendo tambem o que nao somos. O que es entao tu?
Nos conflitos de minha alma silencio minhas vozes para calar minhas frases feitas e deixar a cabeca pensar de forma diferente, ou nao pensar, deixar o coracao falar e a cabeca correr atras dele tentando decifrar suas mensagens mais secretas. Sou eu pelos tempos, cabeca correndo atras de coracao, e o pega-pega da razao e da emocao. E olha que a razao cansa de correr atras, porque colocamos tantos obstaculos no caminho, que a razao desiste de alcancar o coracao e resolve explicar tudo do jeito dela, como se fosse possivel explicar a existencia sem o coracao e suas emocoes... E ainda bem que as temos, porque sao as diretrizes mais exatas de nossos caminhos. Sao as velas de nossos barcos, sao os ventos de nossos moinhos.
Sao mensagens que sempre estiveram ali, pois o coracao nasce com voce e nao ha como uma celula do corpo viver sem ser alimentado pelo principio da vida, ele pulsa para todo o sistema. A linguagem do coracao e simples, sempre foi e sempre sera, o coracao e nossa crianca interior, genuino, inocente, puro e cheio de amor, ele existe para pulsar a vida. Ele so existe para ser para o outro, nao existem coracoes sos, os coracoes sao apenas porque existem outros orgaos.
Dai, sigo viagem para dentro de um universo que deveria ser o primeiro a ser conhecido, o meu interior. O meu coracao que pulsa o amor como todos os coracoes o fazem ainda que suas cabecas nao escutem, nao vejam e nao traduzam.
Lembro-me de Osho: “Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você”. Sigo voando com um prazer sem pressa porque a vida sempre estara la, aqui, dentro. E ele ecoa de novo: “Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão”.
Raizes essas que nutrem-se dos nutrientes do chao, da terra, do alimento que e cada pedaco de pensamento, de atitude, de desejo. Nutrimos ate os galhos mais altos e as folhas mais isoladas. E teus frutos entao dirao o tipo de adubo que estas colocando em seu chao. E experimentaras do doce ou do amargo de teu proprio fruto porque os frutos maduros caem no solo e adubam o chao. Teu fruto sera teu alimento. E a qualidade do teu alimento determinara o crescer de tua arvore. E teu crescer determinara tua sombra.
E crescer e criar horizontes, buscar novas formas, voltar-se para a luz, cantar novos versos, ter muitos galhos, folhas, frutos e ainda passaros a cantar em teu redor. Canto tambem Milton Nascimento em buscar meu caminho e seguir meu destino, cacadora de mim, a descobrir tudo, buscar o amor e olhar para a luz, pois sem ela nao ha vida. A vida e seguir em peregrinação. Peregrinar no universo coletivo do ser.
Porque a vida e busca, nao desejo, pesquisa, não ambição. E quem procura encontra. E devemos encontrar sobretudo a nos mesmos, o encontro esta dentro do espelho. E veras, no reflexo do outro lado, que es quem es, e que nao ha ninguem no universo igual a tu, e que portanto, nao ha formas iguais. E que assim, nao deverias obrigar-te a encaixar em forma alguma senao a tua propria. Tu es o que es e isso e tudo.
Nao tenho vergonha das formas que nao ocupo, dos rotulos que nao carrego ou dos valores que nao compartilho. Nao posso ter vergonha de ser eu mesma se esse e o maior de todos os principios, apenas, ser. Ser o que meu coracao e porque e ele que determina o alimento de minhas celulas, que desenha os tracos e a profundidade de minhas raizes, o tamanho dos meus galhos e a grossura de meu tronco.
E do que me alimento?
E como a parabola do sabio e do discipulo, onde ao questionar sentimentos como raiva, inveja e odio escutas do sabio a parabola. Nela conta-se que havia dois caes, um bom e outro mau, e que juntos deveriam viver, e o mais forte dominaria o outro. Seria o mais forte o que mais alimentado fosse.
Alimente sua arvore com bondade, amor, compaixao e discernimento.
Acredito que somos, do principio ao fim, pedacos do mesmo universo e coracoes com um mesmo destino: amor. Todos nos voltaremos ao Pai.
Alimente-se de amor.
Porque choro ao ver minha filha feliz ou triste, arrepio de ler um texto lindo ou danco numa cancao que me leva embora. Amo por amar, amo por existir, amo por compartilhar. Entendo sem palavras que amar e existir, que sem a outra parte somos incompletos. E atento para a beleza dos dias e noites, da simplicidade de tudo que e vida e sensivel aos olhos da alma, e assim a vida cresce. Ou como disse Osho: “Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica”.
E nesse oceano cabem muitas vidas e o existir nao e singular. So ha existencia no plural. E ainda, vai-se descobrindo que descobrir a si mesmo envolve o outro e que a busca da vida e puro amor.
Todos pertencemos ao todo, somos partes do todo, somos o pulsar da propria vida.
Somos a agua e o pao, somos o adubo no nosso proprio chao.
E que ainda, sempre sera, o mais importante, o amor, porque o amor cura, limpa, recomeca, conecta, faz-te entender que o maior universo esta dentro de voce e que compartilhado, tudo cresce mais rapido. A vida e maior.
Porque amar e viver no plural.
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