Ha em mim desejos loucos e vontades insanas. Medos grandes, mas poucos e mentalidade profana.
Ha mim fome de vida, vontade de lamber da cria toda e
qualquer ferida.
Asas dormentes que relembram o voo raso. A vida presente que
me planta num vaso.
Minha alma levemente adormecida nessa estrada escura e de
bussola perdida.
Ha em mim a curiosidade pelo mundo oculto, o sabor ansiado
de um doce, ainda desconhecido, e meio amargo.
Ha em mim a luz do horizonte buscado, a estrela guia de um
caminho tracado.
O vento que sopra norte, o frio que abriga minha sorte.
Uma incerteza de tudo, uma razao cega, a receita bizarra do fruto
doce da terra arada.
Ha em mim um gigante dinossauro, que teima em experimentar dos
labirintos ao Minotauro.
Ha em mim o amor e o vacuo, o sabor e o tato, o pavor e o
pulo do gato.
O desconhecido, que e maior, e nao fora de mim ou acima das
nuvens brancas, mas dentro e sem fim e coberto de imagens nem tao santas.

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