As vezes me pego pensando porque existimos e estamos na
Terra...
Imagino onde foram parar aqueles que morreram e como podem ter sumido
assim, de uma hora para outra e terem apenas deixado memorias…
Como
pode ser viver, existir, ter um corpo, cheiro, forma e de repente ir embora?
Como
pode ser assim? Ter os que amamos perto e de repente nao mais os termos e ficar
o espaco vazio?
Impreenchivel…
Como
viver com esses buracos? Como
prosseguir apenas com memorias?
E vou embora no sentido da vida e no porque do existir… me
deixo tomar pelos pensamentos e devaneios e vivo a pensar onde estao os mortos
e, se vivos, como
vivem?
E nos, que nos dizemos vivos, porque nao os vemos e
sentimos?
Entao somos nos os mortos e eles os vivos?
E a vida uma ilusao?
Mas como
pode ser uma ilusao tao palpavel, tao real, tao cheia de materia, substancia
solida?
Sao tantas as perguntas sem respostas…
E nesse voo sem pouso o mais sabio sao as palavras de
Clarice: viver ultrapassa todo o
entendimento.
Entao nao e para entender, porque nao ha respostas para
tantas perguntas.
Porque mesmo que acreditemos em espiritismo, seremos
testados na fe e em nossas crencas.
Porque nossa realidade e muito diferente da verdade do
espirito.
Porque nao ha como
em nossa limitacao humana entender a dimensao espiritual da vida…
Minha tristeza e diluida em tantos pensamentos e a
insolitude das ideias deixa em mim a certeza do vazio que sempre sera…
As saudades sao maiores e as memorias grandiosas e eternas.
Somos feitos de historia e nela escrevemos a imaterial
realidade do existir…
Entao viver nao e material. E memoria, lembranca, historia…
E nessa loucura de vida a criacao e a geracao de um novo
corpo e apenas um ponto no comeco desse conto.
No milagre da concepcao de uma vida, que so sera construida
depois de vivida, preenchida de memoria, sabores e saudades…ha apenas um ponto.
O real e o conto.
O real e o que nao vemos.
Como
cego somos e tao imersos numa realidade circunscrita de material estamos.
A vida e resultado do ontem, mas na sua antitese, e construida
nesse dia-a-dia absolutamente cru, num mundo que vemos, pegamos, apalpamos e
cheiramos…
E o que e imaterial aos olhos mortais e o que constroi a memoria,
a historia, a lembranca, a saudade, o sentido da vida…
O existir e carnal, o sentido da vida e imaterial.
Como
pode ser?
A ilusao da vida nos dar a certeza do perene, do sublime e do eterno?
Sao as perguntas sem respostas…
E a contradicao da carne e do espirito…
E a vida com seus misterios e suas teias emaranhadas do que
e “real” ou do que e “irreal”.
Fica a realidade de um coracao de carne, que pulsa e vibra,
mas que na carne nada e senao forma e que na sua memoria e a historia, todo
dor, forca e amor.
E o amor nao e palpavel, nem tem cheiro, nem forma, mas
alimenta o espirito e ainda o corpo na sua trajetoria…
E a vida a me levar embora ainda que esteja aqui nesses dias
sem aurora.
Fica o amor por aqueles que se foram, porque o corpo pode
morrer e sumir, mas as saudades serao sempre eternas no meu existir.
O material pode nao durar muito, mas pintara na tela da minha alma a
historia do meu viver mais do que absoluto.
Que venha no ventre a forca da vida, que pulse em meu corpo
coracoes de sangue vermelho,
Que escreva nas luzes da alma a historia de cada ferida. As memorias que verei no espelho.
Que fiquem entao as eternas perguntas sem respostas
Todas as vidas e suas apostas.
Que venha a vida em sua magia maior.
Que seja a alma toda a historia do
meu suor.
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