
A psicologa Marise de Souza Morais e Silva (www.artpage.com.br/marise/medusa1.html) publicou uma analise dos mitos e estados depressivos com relacao a figura arquetipica da medusa muito interessante.
Diz a lenda grega que havia uma mulher/monstro com cabelos de serpente venenosas muito ma e cruel, que vivia sozinha, mas seduzia a todos que encontrassem seu olhar, paralizava-os tornando-os pedra - sugava de suas vitimas a propria vida - seus dentes eram presas de javali, suas maos eram de bronze e suas asas de ouro. Assim, ela nao podia acariciar nem beijar e com suas asas nao podia ser alvo real, era divina. A medusa e a representacao da mulher rejeitada e abandonada que nao sabe amar e que nao pode ser atingida.
Nesse artigo, a psicologa relata com suas experiencias clinicas como esses arquetipos influenciam a vida de varios pacientes.
Os filhos da "medusa" nao se reconhecem ao se olhar no espelho, nao sabem quem sao. passam a vida se procurando, vagando sem encontrar e reproduzindo as "monstruosidades" da mae... acreditam que sejam monstros tambem, afinal o espelho (ainda que torto e irreflexivo) e a propria. Ela nao lhes deu carinho, nao lhes beijou nem abracou...
Existe la tras (na fase infantil) uma mae que nao refletiu no seu olhar a identidade da crianca (ha segundo a psicologia a fase do espelho na qual o bebe se ve na mae e comeca a construir sua indentidade a partir do que ela lhe reflete), eu diria tambem que essa mae nao refletiu em suas atitudes o amor que sentia pelo filho.
E o olhar de amor, de apreciacao, de ternura e admiracao que a mae tem para com sua cria que faz nascer na crianca o sentimento de auto-estima e valia. A crianca le o olhar da mae e interpreta os comportamentos dela.
Para os filhos de "medusa" a mae e santa, nao e ser humano, ela e mitificada e tida como paralisante, incapaz de orientar a cria. Sao criancas perdidas.
Discorre dai a dificuldade da auto-estima, de aceitacao e desmitificacao da figura materna para encontrar a verdadeira identidade. Sao pessoas que se perdem dentro da escuridao que e a ausencia desse espelho que deveria ser fiel.
O resultado da falta completa de visao e a paralisia, tipica do estado depressivo. Portanto, segundo esse arquetipo esta intimamente ligada a esta relacao complicada, rica e "divina" entre mae e filhos. Os filhos da medusa "precisam encontrar um espelho que lhes digam quem sao ou pelo menos quem nao podem ser".
Ha que se procurar quem reflita suas qualidades e nao seus defeitos, para comecar a construir dentro de si os pilares da auto-estima.
Essa abordagem e extremamente rica porque nos remete a principios muito antes desenvolvidos e por nos muitas vezes ignorados. Como iriamos sequer supor que do inconsciente de nossa mae, nasceria a nossa auto-estima e dai advinham-se os sentimentos de menos valia, inercia, falta de vitalidade e depressao? Mae e mae. E... mas mae tambem e gente e como todo mundo traz em si os mesmos arquetipos e os mesmos desafios da alma (psique) nos quais a batalha requer forca, coragem e determinacao.
E as vezes isso nos falta.
Claro que cutucar a onca com vara curta pode ter resultados devastadores e dolorosos, mas da propria morte das serpentes de medusa nasce o antidoto da depressao, o suco da vida, a agua cristalina do espelho da alma.
Assim e buscar-se no escuro depressivo.
E onde comecou essa historia toda? Na raiz. Na origem. Na relacao com a mae.
Reavaliar essa relacao na significa que deixaremos de amar nossas maes ou que as puniremos por terem sido incapazes de amar-nos como deveriam... talvez ate passemos por todos esses sentimentos dentro do processo terapeutico, mas ao entendermos as limitacoes do outro e ao nos enxergarmos diferentemente do outro, poderemos sair desses estados e encontrar sentimentos mais nobres e saudaveis.
Estamos todos no mesmo barco, somos todos seres humanos em evolucao.
Olhar para as referencias e importante para avaliar o caminho, a trajetoria e re-planejar o futuro.
Ser feliz e tarefa ardua porque herdamos inconscientes familiares e dinamicas tortas e fazemos papeis muitas vezes indesejaveis em nossas relacoes que nem mesmo percebemos o quanto nos infelicita. E ainda levamos esses papeis para fora e os reproduzimos nas relacoes socias...
Somos todos os dias algo que na verdade nao somos nem nunca fomos, mas que se continuarmos sendo, seremos.
Ha que se ter fe, forca e amor por si.
O amor existe, no outro, em si, no trabalho de busca, de cura, de terapia, de crescimento.
O espelho esta na nossa frente, mas despir-se das mascaras, das defesas e olhar o sangue correr na ferida viva ainda aberta nao e tarefa facil e requer muita, mas muita vontade.
Porem renascer tem um doce sabor. Um sabor de vitoria, conquista e liberdade.
A dor da batalha nao pode ser comparada a dor de uma vida nas sombras.
Se somos capazes de suportar a dor da escuridao depressiva e porque tambem temos forca para enfrentar as serpentes da alma.
CORAGEM.
Busque, procure, "peca e encontra-ras".
Da minha parte, desejo amor, luz, sabedoria, coragem e muita fe para enfrentarmos dentro de nos as serpentes que nasceram conosco e assim encontrar o doce sabor da vida.
Que coisa mais linda esse texto! Agradeço muito por ter se permitido escrever e compartilhar! 🙏 Veio no momento certo!
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